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RT Emprestado é Crime? Riscos para Empresa e Engenheiro

Documento de ART emitido por engenheiro mecânico, ilustrando risco do RT emprestado

RT Emprestado é Crime? Riscos para Empresa e Engenheiro

"RT emprestado" não é um crime com esse nome específico na lei, mas quem pratica corre um risco maior do que imagina. Registrar um engenheiro como Responsável Técnico sem que ele participe efetivamente das atividades da empresa configura infração ética gravíssima perante o CREA, sujeita à cassação do registro do profissional. Dependendo do caso concreto — como a emissão de ART ou laudo sem correspondência com a realidade — a prática pode ainda se enquadrar em crimes previstos no Código Penal, como falsidade ideológica. Empresa e engenheiro respondem juntos.



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O que caracteriza o "RT emprestado" na prática

É a situação em que um engenheiro é registrado formalmente como Responsável Técnico de uma pessoa jurídica perante o CREA, mas não participa das atividades técnicas da empresa — não supervisiona processos, não visita as instalações, não acompanha os serviços prestados. Na prática, apenas "empresta" o número de registro para que a empresa possa emitir ARTs e operar legalmente no papel.

RT emprestado é crime? O que diz a lei

Não existe, na legislação brasileira, um tipo penal chamado especificamente de "RT emprestado". Mas isso não significa ausência de risco:

  • A Lei nº 5.194/66 e o Código de Ética Profissional do sistema Confea/CREA tratam a participação efetiva do RT como um dever — descumpri-lo é infração ética grave, com processo administrativo que pode levar à cassação do registro;
  • Se o RT assina ART ou laudo técnico atestando fatos que não correspondem à realidade (por exemplo, uma inspeção que nunca ocorreu), a conduta pode configurar falsidade ideológica (Código Penal, art. 299) ou outros crimes, a depender do caso concreto;
  • A avaliação de eventual crime sempre depende das circunstâncias específicas — não é automática, mas o risco jurídico é real e cresce proporcionalmente ao tempo de "empréstimo" do registro.
Engenheiro mecânico realizando supervisão técnica presencial, evitando o risco de RT emprestado

Consequências para a empresa

  • Autuação e multa pela fiscalização do CREA ao constatar ausência de participação técnica real;
  • Invalidação de ARTs e laudos emitidos sem respaldo técnico efetivo;
  • Responsabilização civil por danos, acidentes ou não conformidades, mesmo com um RT formalmente registrado;
  • Prejuízo à imagem e à confiabilidade perante clientes e órgãos fiscalizadores.

Consequências para o engenheiro

  • Processo ético-disciplinar no CREA, podendo resultar em suspensão ou cassação do registro profissional;
  • Responsabilização civil pelos atos técnicos assinados;
  • Exposição a responsabilização criminal, dependendo da existência de documentos falsos ou fraude comprovada.

Como saber se sua empresa está nessa situação sem perceber

Alguns sinais de alerta: o RT nunca visita a empresa, não conhece os processos técnicos do dia a dia, ARTs são emitidas sem vistoria real, ou o contrato existe apenas para "regularizar o CREA", sem qualquer previsão de acompanhamento técnico contínuo.

Para entender o que o Responsável Técnico deve efetivamente fazer e como regularizar corretamente, veja a página sobre Responsável Técnico para Empresas.



Perguntas Frequentes

RT emprestado é crime?

"RT emprestado" não é um tipo penal específico com esse nome, mas a prática configura infração ética gravíssima perante o CREA, sujeita à cassação do registro do profissional. Dependendo do caso concreto — como emissão de ART ou laudo sem correspondência com a realidade — pode também se enquadrar em crimes previstos no Código Penal, como falsidade ideológica.

O que caracteriza o RT emprestado?

É quando um engenheiro é registrado formalmente como Responsável Técnico de uma empresa perante o CREA, mas não participa efetivamente das atividades técnicas, apenas emprestando seu registro.

Quais as consequências para a empresa que usa RT emprestado?

A empresa fica exposta a autuação e multa pela fiscalização do CREA, invalidação de ARTs e laudos emitidos sem respaldo técnico real, e responsabilização civil em caso de acidente ou não conformidade — mesmo tendo um RT formalmente registrado.

Quais as consequências para o engenheiro que empresta o RT?

O profissional pode ter o registro cassado ou suspenso pelo CREA por infração ética, além de responder civil e, dependendo do caso, criminalmente pelos atos técnicos assinados sem participação real.

Como saber se minha empresa está com RT emprestado sem eu perceber?

Sinais comuns: o RT nunca visita a empresa, não conhece os processos técnicos, ARTs são emitidas sem vistoria real, ou o contrato existe apenas para "regularizar o CREA" sem previsão de acompanhamento técnico.

O CREA fiscaliza a participação efetiva do RT?

Sim. A fiscalização do CREA pode verificar, em diligências e denúncias, se o Responsável Técnico registrado tem participação real nas atividades da empresa.

Como regularizar a responsabilidade técnica da empresa corretamente?

Contratando um engenheiro que efetivamente participe da supervisão técnica, com ART de cargo ou função emitida e acompanhamento contínuo — e não apenas o registro formal do nome no CREA.

Vale a pena contratar um RT mais barato que não acompanha a empresa de perto?

Não. O risco de responsabilização, multa e invalidação de documentos técnicos costuma superar em muito a economia de contratar um RT sem participação real.





Fonte: Lei nº 5.194/66, Código de Ética Profissional do sistema Confea/CREA e Código Penal.

Por Eng. Me. Cledenir Costa de Oliveira, CREA-SC 181037-9conheça a trajetória completa do engenheiro.

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